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O Rei Perdido - Stephen Frears

  • 24 de jun. de 2024
  • 2 min de leitura

À PROCURA DE RICARDO III

António Roma Torres


Este era o título de um filme de Al Pacino, de 1996. Abordei-o aqui no blog, comparando-o com uma reflexão de um dos cineastas mais relevantes nas adaptações de Shakespeare, Filming Othelo de Orson Welles.

Mas agora o mesmo título podia aplicar-se a uma história real que foi objecto de notícias há poucos anos. Agora não sobre a peça e as formas de pôr em cena a personagem, mas sobre a figura histórica e até a reabilitação do mal amado monarca inglês.

A história é espantosa e permitiu encontrar as ossadas do rei (a objectividade do passado), mas também como se constroi a memória colectiva e como ela se expressa e se revive a cada obra (a subjectividade da recepção, a cada momento da história, e também conforme o partido que se toma nessa procura).

Stephen Frears, um cineasta britânico que a dado passo teve uma incursão em Hollywood, pegou na história com a simplicidade e a ironia que já demonstrara em filmes como O Herói Acidental (1992), com Dustin Hoffman como um sem-abrigo que misteriosamente salva os passageiros de um acidente aéreo, ou A Rainha (2006), sobre Isabel II, magnificamente interpretada por Hellen Mirren (oscar 2007), no início do mandato de Tony Blair e na crise da monarquia na morte da Princesa Diana.

Agora com 81 anos de idade, Stephen Frears vem mostrar em O Rei Perdido (2022), uma coerência notável na sua filmografia, que não está ainda acabada (anuncia-se a adaptação de O Sr. Wilder & Eu, romance de Jonhathan Coe, Porto Editora, 2022, interessante enredo sobre a rodagem de O Secredo de Fedora, 1978, um dos últimos filmes de Billy Wilder).

Philippa Jayne Langley, ela própria produtora executiva de O Rei Perdido, é a protagonista, interpretada por Sally Hawkins, que persistentemente vai descobrindo a pista para o túmulo do monarca numa igreja medieval destruída, finalmente encontrada na base de um parque de estacionamento de Leicester, a cidade natal de Stephen Frears (entrevista de Philippa Langley ao The Guardian, 8/12/2013).

 

 
 
 

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